
Hoje falamos de leitura, mas não de book stack e, não se preocupem que eu sei que ainda nos falta um livro… Mas hoje fazemos um “digest” dos artigos de Substack que li esta semana.
Este é um formato que há muito pensava experimentar e, dada a minha relação complicada com o mês de Agosto, é a melhor altura para ditas experiências. Tive esta ideia ao ler o livro de Russell Nohelty e Claire Venus “How to build a world class Substack”, que recomendo para quem quiser perceber melhor a plataforma.
No outro dia, estava a pensar na ironia de eu estar a escrever tanto sobre leitura, leituras de Moda como é óbvio, ultimamente. A minha relação com a leitura não começou da melhor forma, comecei a ler tarde e com dificuldade e no quarto ano da Escola Primária fiquei em terceiro lugar num concurso de leitura e nunca mais parei de ler.
Bem, talvez devesse ter-vos contado esta história se a temática fosse intuição, já que eu sabia antes de serem anunciados os resultados, tinha a certeza de que estaria no pódio — e, é muito interessante que tenho viva memória de tal sentimento.

E, por falar na minha infância, prévia à Moda — já que o meu grande contacto com a Moda foi aos 11 anos, falemos dos meus livros favoritos de então, as Rosas Inglesas. Recentemente, pude tornar-me uma rosa inglesa ao ser retratada pelo incrível ilustrador Jeffrey Fulvimari. Durante estes meses, nos quais pude conhecer um pouco da forma de ser de Fulvimari não pude resistir a incluir “The Artist Behind The English Roses” de Kissed a surfer neste digest.
Com a minha maturidade actual foi fascinante perceber o processo criativo e de promoção de Jeffrey, assim como saber que temos a mesma Rosa Inglesa — a fashion girl, claro, a Amy.
Sabemos que ser Gen Z, Zillenial, nos dias de hoje não é fácil, principalmente, dado o que a COVID nos roubou. Já para não falar no facto da década dos 20 anos serem confusos. Tendo falado já muito sobre Moda com Emma — e, ela também já ter escrito bastante sobre Moda — desta vez, é sobre tudo o acima que fala em “break free from the idea of yourself”.
Sobre esta fase da vida, de uma forma cândida, o artigo “Everyone’s Career Looks Faster From the Outside” de Zoë Yasemin é inspirador. Fala-nos da comparação criativa como um imposto que vem inerentemente com o trabalho. Para lá de partilhar as suas experiências, incentiva a sua comunidade e os seus leitores a irem atrás dos projectos em que querem trabalhar. Há que tentar, sem comparar o nosso processo com o produto final de alguém.

E, não foi comparação aquilo que senti ao ler este artigo — foi uma nova ambição para uma nova encarnação. Aquele pensamento de “quando for grande quero ser…” No caso, coleccionadora de Moda.
Ainda que o protagonista deste artigo que se segue tenha 24 anos, sendo mais novo que eu. Trata-se de Luka Gviniashvili de “Inside the rare Christian Lacroix archive of a young Tbilisi collector”, que System Magazine escreveu sobre o seu trabalho. Para lá do seu trabalho, o que mais tocou foi a curiosa amizade que Luka formou com o próprio Lacroix… Ou não tivesse um fraquinho enorme por bonitas amizades intergeracionais.
Mas voltemos às questões de carreira com Eils e “ten things i wish someone told me before working in fashion”. E quais eram algumas dessas coisas que Eils gostava de ter sabido antes de trabalhar em Moda?
As que destaco são: o facto de a Moda ser uma indústria pequena; a necessidade de ter consciência de que nunca seremos um produto acabado, que vamos cometer erros; e que (claro está) não comparar a nossa carreira com alguém no Instagram. Mas mesmo antes dessa enumeração que aconselho a que leias na íntegra, houve algo de que a autora afirmou que me fez reflectir sobre o meu próprio privilégio. O privilégio de ter amigas mais velhas que eu que trabalham em Moda e me vão diligentemente guiando quando preciso.
Considera tornar-te subscritor pago do TFS e apoiar a continuidade do projecto por 5€ por mês ou 50€ para lá dos artigos exclusivos todos os meses, tens acesso ilimitado ao arquivo de dezenas de ensaios.
Sendo tudo isto um processo, também existe o processo como produto. Ainda que esse seja o ponto fundamental do que Ligia Ponce escreveu para Archive.pdf — “Process as Product”, mas há algo bastante mais interessante nesse artigo. O quê? A afirmação que quanto mais sabemos sobre Moda, quanto mais trabalhamos nela, quanto mais estamos embrenhados no seu processo, pior nos vestimos… Bem, isto daria semanas de discussão. O que é sem dúvida certo, é que muitos fashion insiders adoptam uniformes.

Se há não muito tempo nada acontecia em Moda em Agosto, agora em vocabulário de Moda Agosto é sinónimo de Copenhagen Fashion Week. Para a I-D, Marley Wendt conta que esta semana de Moda se está a tornar mais madura. O mesmo acontece com as fashion girls dinamarquesas. Isto que vos conto é só o levantar do véu, porque em “I guess I’m a material girl now” Wendt faz uma leitura ilustrada da passerelle.
E é exactamente a ler a passerelle que nos ensina o The Citizen’s Poste — “Here’s How to Read a Runway Show Like a Professional”. Que ao mesmo tempo que nos ensina a ler nas entrelinhas, nos dá uma lição em como aproveitar a emoção de assistir a um desfile.
Por falar em semana de Moda, já ouviste falar no evento Cannes Lions? Amy Francombe questiona se dito evento se estará a transformar numa espécie de Semana de Moda — “Is Cannes Lions the new fashion week?” No entanto, para Amy, acima de tudo, este evento de marketing e publicidade está a tornar-se um reconhecimento de como a internet está a mudar as trajectórias tradicionais de carreira.
Falando de Moda, Moda, falemos de como Tamara Pfeiffer escreve um conto de fadas a partir da Schiaparelli de Daniel Roseberry. Em “A Happily Ever-Schiaparelli Story”, equacionamos como nunca foi sobre o príncipe encantado, mas sobre o vestido.

Elsa Schiaparelli nascera no Palazzo Corsini em Roma numa família abastada; o negócio de Madeleine Vionnet não tivera sucesso à primeira tentativa; Jeanne Lanvin era filha de costureira e teve muito sucesso graças a criar Moda para mãe e filha. De designers para lá de Coco Chanel é disso que trata “Beyond Chanel: Women Designers of the Interwar Period” de Deimante Karaciejute.
Por falar em Chanel, muito se debateu em que se tornaria o Substack com a entrada da publicidade. O artigo “Treat Your Creativity Like A Crush” de Erika Veerink, prova que um artigo publicitário não deixa de ser interessante, uma leitura fresca e engraçada, havendo claras referências ao perfume Coco Mademoiselle Crush Absolu.
Estamos quase de volta ao Janeiro da indústria da Moda — o mês de Setembro. Muita tem sido a controvérsia da capa da Vogue de Setembro e não por nos dar food for thought, mas por ser bastante aborrecida. Emilee Russell diz que se trata de uma capa com falta de sentimento, não sendo a primeira vez que tal acontece recentemente, lembrando a capa de Setembro do ano passado com Emma Stone, em “the issue(s) with vogue’s september issue”.
Na última semana, tem sido impossível não nos sentirmos tocados ou evitar emocionar-nos com a repentina morte de Mathilde Favier. É disso que trata “When Death Tells What Life Must Be Like” de The Happy Turtle, mas muito acima de morte — fala de vida. E das lições de vida que a adorada directora de RP da Christian Dior deixou ao mundo, da Moda e não só. Lições como: ser-se alegre, luminoso, generoso e gostar verdadeiramente de aproveitar a vida.

Este ensaio pode não parecer The Fashion Standup, mas porque te haveria de dar mais do mesmo semana após semana? Porque não hei-de te dar sugestões e não só focar-me nas minhas próprias perspectivas, hoje trouxe novidade e inspiração.
Boas leituras!
Para a semana estarei “out of the office”, mas isso não quer dizer que não vamos ter ensaio, por isso…
Até para a semana!
Com amor,
Vera Lúcia
P.S. Não te esqueças de dar feedback sobre este formato nos comentários ou como resposta ao email. Porque sem o teu feedback, como saberei se este é um formato a repetir?


