Estados Unidos da Moda
Vamos falar sobre a European Fashion Alliance
Talvez te tenha apanhado de surpresa… Talvez antes do teu cérebro ter assimilado a parte “da Moda” pensaste no Bad Bunny, no half time show, na entrevista conjunta da Anna Wintour e da Chloe Malle, ou até no anúncio da Open AI e da CFDA. Ou talvez eu esteja a deixar a minha imaginação alucinar um bocado, mas ao tema do dia ou deste ensaio…
Hoje vamos falar da European Fashion Alliance - uma aliança de diversas organizações europeias de Moda, que juntas defendem políticas comuns, que são recomendadas e recomendáveis à União Europeia adoptar. O âmago da European Fashion Alliance (EFA) é o espírito colectivo de colaboração.
Inicialmente, pensei que te iria falar apenas do mais recente relatório da EFA “Report of the needs of the European Creativity-Driven Fashion Industry”, publicado em finais de 2025. E, portanto, assim cumpriria um dos propósitos do TFS - estudar a Moda por ti.
A Moda exige estudo constante, mas quase de certeza que tu não tens todo esse tempo e, modéstia à parte, por isso é que lês o The Fashion Standup.
Bem, esta semana não me posso alongar com grandes introduções, porque a meta é não ultrapassar as mil palavras já que te preparei um ensaio altamente visual. Até lhe podemos chamar compêndio - inclui um esquema de todos os membros da EFA, estando devidamente assinalado se participaram ou não na redacção do relatório e se fazem parte das colagens que te preparei. Cada colagem apresenta seis designers/marcas que de alguma forma estão ligados aos membros identificados na respectiva legenda.
Então as organizações que fazem parte da European Fashion Alliance são as instituições que organizam as diferentes Semanas de Moda na Europa, é isso?
Digamos que “não só, mas também”. Estas organizações, de que é exemplo a Associação ModaLisboa, de que muito vos tenho falado, trabalham todo o ano para promover os designers independentes, para lá do evento propriamente dito.
Tanto te tenho falado da ModaLisboa (MLX) que, a esta altura, se tornou um dos pilares do meu conteúdo. Bem, não que não fosse planeada, afinal foi por aqui que tudo começou para mim. E de certa forma para o The Fashion Standup também. Por isso, agora no site/Substack do TFS tens a secção ModaLisboa | Lisboa Fashion Week ao teu dispor. De toda a aliança, note-se que a Lisboa Fashion Week foi pioneira, uma vez que foi a quarta Semana de Moda da Europa e a primeira independente, para lá das três europeias das fashion four - Paris, Milão e Londres.
Para te ficares plenamente contextualizado, deixo-te a perspectiva da MLX, conforme presente no site da EFA:
“A Moda Europeia precisa de uma voz unida. A única forma de construir uma indústria inovadora, inclusiva e sustentável que dá resposta aos desafios transversais, tanto de negócios independentes como criativos com visão de futuro, é construir uma força conjunta que tem um impacto inegável em formatar sociedades futuras. Estamos comprometidos em realçar o poder deste ecossistema a florescer, com a consciência de que a mudança começa por dentro.”
Claro que não te vou resumir o relatório, vou destacar o que para mim poderá enriquecer a nossa conversa constante.
Semanas de Moda
Sou uma apaixonada confessa do modelo das Semanas de Moda vigentes, que tanto se discutem actualmente. Daí que este seja um dos pontos que destaque.
A própria EFA define as Semanas de Moda como sendo parte vital do sistema de Moda, algo que subscrevo plenamente. Segundo a European Fashion Alliance, trata-se do seguinte:
As Semanas de Moda, como parte vital do ecossistema de Moda, servem não apenas como montra de criatividade, mas também desempenham um papel crítico ao comunicar e informar a indústria no seu todo e o público. Estes eventos são uma plataforma através da qual mensagens fundamentais sobre sustentabilidade e inovação podem ser partilhadas com uma audiência global.”
Somos ainda levados a reflectir sobre o papel de ditos eventos ao “trazer” locais históricos ao momento cultural contemporâneo.
Moda Criativa
Algo que me surpreendeu foi a referência constante à Moda Criativa. Então comecei a pensar: mas como pode haver Moda sem criatividade? Depois lembrei-me de que existe o fast fashion e, agora também, o ultra fast fashion, e também os grandes conglomerados/magnatas do Luxo.
Portanto faz todo sentido que se falem em “Creative Fashion Houses”, uma vez que são os designers e os criativos que têm liderado a transformação para a sustentabilidade e transformações sociais.
Tecido empresarial da Moda e a percepção geral da Moda
Uma questão de grande relevo é o tecido empresarial da Moda europeia. A Moda Europeia é composta maioritariamente por Pequenas e Médias Empresas (SME - Small and Medium Enterprises). Empresas essas, fundadas por designers, que muitas vezes carecem de conhecimentos de gestão e de formação em empreendedorismo.
Existem também muitas micro-empresas e, portanto, a sustentabilidade financeira de todas estas escalas e, dentro das próprias micro-empresas, o auto-emprego e o trabalho independente. E todas elas, se devidamente apoiadas, poderão tomar as decisões mais sustentáveis também a nível ecológico e social.
Porque agora pergunto eu (incentivada pelo espírito do relatório): sabemos que o Passaporte Digital do Produto (DPP - Digital Product Passport) poderá trazer grandes benefícios à transparência do processo, mas qual será o custo da sua implementação?
Uma vez que neste estudo fica evidente que a Moda é percepcionada de forma negativa. Há que pôr os pontos nos is - essa percepção é materializada pelo fast fashion e pelos recentes escândalos do “quiet luxury”.
Não obstante, essas grandes empresas serão as que terão mais facilidade em implementar medidas relacionadas com o DPP, enquanto os designers independentes têm dificuldade em adquirir os materiais mais sustentáveis e sofrem as consequências de a maioria dos consumidores ainda escolher apenas com base no preço mais baixo.
Mas é aí que entra a European Fashion Alliance e os seus membros.
As necessidades e as recomendações
As 63 recomendações feitas e resumidas pela própria EFA, atendendo ao sector criativo da Moda, são as seguintes:
(Aqui haverá uma infografia apresentando as 7 áreas prioritárias e as recomendações)
Claro que a grande questão é como alcançar estas metas abrangentes. Mas neste report a União Europeia também encontrará a resposta:
iniciativas de legislação e de regulação;
integrar as recomendações em programas da UE já existentes;
lançamento de plataforma ou projecto piloto da UE;
aconselhamento estratégico;
acções de investigação, sensibilização e comunicação.
Já conhecias o trabalho da European Fashion Alliance? Há algum dos seus membros que sintas que seja vital para o cluster de Moda em que te inseres?
Até para a semana!
Com amor,
Vera Lúcia
P.S. A Ruwini escreveu um lindo artigo sobre o nosso encontro por Zoom, artigo esse que podes ler aqui.























