Estado da Arte: Calor Extremo na Moda Independente

A Europa está cada vez mais quente, nunca vivemos meses de Junho e Julho tão quentes — N-U-N-C-A!
O que quer isto dizer para os designers de Moda independentes?
São muitos os desafios que os designers independentes enfrentam, mas como o calor extremo se torna mais um ou se múltipla em diversos desafios.
Em Portugal só 29% das casas que têm ar condicionado, no Reino Unido só conta com 5% de casas familiares têm ar condicionado, a média da Europa é de 20%. Com o aumento das rendas e dos imóveis seja de que tipologia for, restam, para lá de home office, os imóveis mais antigos — os mais quentes.

Ah, se te perguntas onde fui buscar estes dados? Recolho informação para ti por diferentes meios, como a TV, neste caso o G7 da CNN Portugal.
Para lá de muitas vezes, hipoteticamente, sofrerem com o calor a trabalhar — como acontecia na faculdade, há tantas outras questões… As micro-empresas, como são as dos designers de Moda de autor, têm a operação muito dependente do próprio. Isto quer dizer que o calor extremo cada vez mais debilita os sistemas imunitários — em muitos casos se o fundador/ designer adoece a operação pára.
Temos ainda os desfiles remarcados como o da Dior e de Rick Owens na Paris Men’s Week. E para mim mais interessante, uma vez que é uma questão sobre o qual não havia pensado e tenho plena noção de porque assim é, mas uma coisa de cada vez.
Farei menção à Vogue Business e as imagens presentes nas colagens deste ensaio têm como fonte a Vogue Runway. Apesar da pesquisa e colagens terem sido feitas antes do post de Instagram e Note de Substack de ontem, aquele no qual falo sobre o facto da Vogue ser a nova Hola! ou People Magazine, não é só por isso que mantenho tais referências. Considero que a Vogue Runway mantém o seu papel e que o deveria manter gratuita como era nos bons velhos tempos.
Sou consciente que o digo havendo neste ensaio uma paywall, mas o The Fashion Standup é uma publicação independente e as subscrições são a única forma de entrada de capital para este projecto. E apesar das paywalls, quando fazes scroll não encontras um banner de anúncios a cada dois parágrafos.

E, ainda que eu pense que a melhor estratégia para a Vogue seja ter uma Vogue Noivas como acontece em Espanha, para as Georginas e para as Laurens Sánchez Bezos — e deixavam a Vogue ser Vogue.
Já agora, como os meus ensaios nunca são em linha reta deixa-me contar-vos um pequeno hack económico, já recebi um certo hate por falar disto, não obstante vou fazê-lo. Uso a Klarna, já escrevi sobre isto e, é através da subscrição da Klarna que tenho acesso à Vogue e outras subscrições entre os quais o Flo.
Falando da Vogue Business, ainda tem artigos que são aquilo que queremos da Vogue — tendo em conta a comunidade de Moda do Substack. Artigos como “Can Fashion Handle the Heat?”, no qual é citado um post de Instagram do fundador da revista independente StyleZeitgeist, Eugene Rabkin. E com essa citação voltamos à tal questão sobre a qual eu nunca havia pensado:
“Falo por muitos editores independentes aos quais não é concedido carro por parte dos organizadores da Paris Fashion Week ou por meio de ajudas de custo e, digo-o com todo o respeito, mas as Alterações Climáticas são reais… Às vezes, quando ouves um educado “não”, é porque o teu showroom é demasiado longe e nós estamos a dar prioridade ao nosso bem-estar invés de olhar para peças de roupa. Enquanto isso, tentamos fazer o melhor com calendários frenéticos que mandam de um lado para o outro da cidade, como se fossemos bolas de ping pong, várias vezes por dia sob um clima debilitante… Eu sei que os orçamentos são apertados, mas ajudem-nos a ajudar-vos.”

Obviamente, que o problema de que fala Rabkin faz todo o sentido, só nunca pensei nisso pela minha experiência de Fashion Week.
Como sabem, a minha experiência é a ModaLisboa | Lisboa Fashion Week que, a cada edição, tem uma location principal, onde decorrem a maior parte dos desfiles com os outros eventos a não distarem muito. Por exemplo, no Pátio da Galé, há estacionamento muito perto (e eu e andar a pé é incompatível) que muitas vezes é gratuito quando o lugar de deficiente na rua está disponível. E, também consigo deslocar-me facilmente entre esta localização principal e o MUDE, onde costumam decorrer alguns desfiles e ciclos de conferências. Portanto, Moda em Lisboa não tem bolas de ping pong.



