The Fashion Standup (PT)

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Estado da Arte: Calor Extremo na Moda Independente

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Vera Lúcia
ago 17, 2026
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Colagem feita pela autora. Look do desfile da colecção Primavera 2009 de Yohji Yamamoto. Look do desfile da colecção Primavera 2007 de Thom Browne. Look do desfile da colecção Primavera 2021 de Mame Kurogouchi. Look do desfile da colecção Inverno 2017 de Djaba Dissamidze. Look do desfile da colecção Primavera 2019 de Antonio Marras.

A Europa está cada vez mais quente, nunca vivemos meses de Junho e Julho tão quentes — N-U-N-C-A!

O que quer isto dizer para os designers de Moda independentes?

São muitos os desafios que os designers independentes enfrentam, mas como o calor extremo se torna mais um ou se múltipla em diversos desafios.

Em Portugal só 29% das casas que têm ar condicionado, no Reino Unido só conta com 5% de casas familiares têm ar condicionado, a média da Europa é de 20%. Com o aumento das rendas e dos imóveis seja de que tipologia for, restam, para lá de home office, os imóveis mais antigos — os mais quentes.

Colagem feita pela autora. Look do desfile da colecção Pre - Outono 2019 de Alejandra Alonso Rojas. Look do desfile da colecção Pre - Outono 2019 de A.W.A.K.E Mode. Fonte das imagens: Vogue Runway.

Ah, se te perguntas onde fui buscar estes dados? Recolho informação para ti por diferentes meios, como a TV, neste caso o G7 da CNN Portugal.

Para lá de muitas vezes, hipoteticamente, sofrerem com o calor a trabalhar — como acontecia na faculdade, há tantas outras questões… As micro-empresas, como são as dos designers de Moda de autor, têm a operação muito dependente do próprio. Isto quer dizer que o calor extremo cada vez mais debilita os sistemas imunitários — em muitos casos se o fundador/ designer adoece a operação pára.

Temos ainda os desfiles remarcados como o da Dior e de Rick Owens na Paris Men’s Week. E para mim mais interessante, uma vez que é uma questão sobre o qual não havia pensado e tenho plena noção de porque assim é, mas uma coisa de cada vez.

Farei menção à Vogue Business e as imagens presentes nas colagens deste ensaio têm como fonte a Vogue Runway. Apesar da pesquisa e colagens terem sido feitas antes do post de Instagram e Note de Substack de ontem, aquele no qual falo sobre o facto da Vogue ser a nova Hola! ou People Magazine, não é só por isso que mantenho tais referências. Considero que a Vogue Runway mantém o seu papel e que o deveria manter gratuita como era nos bons velhos tempos.

Sou consciente que o digo havendo neste ensaio uma paywall, mas o The Fashion Standup é uma publicação independente e as subscrições são a única forma de entrada de capital para este projecto. E apesar das paywalls, quando fazes scroll não encontras um banner de anúncios a cada dois parágrafos.

Colagem feita pela autora. Look do desfile da colecção Primavera 2024 de Andreas Kronthaler for Vivienne Westwood.Look do desfile da colecção Primavera 2021 da Prada. Fonte das imagens: Vogue Runway.

E, ainda que eu pense que a melhor estratégia para a Vogue seja ter uma Vogue Noivas como acontece em Espanha, para as Georginas e para as Laurens Sánchez Bezos — e deixavam a Vogue ser Vogue.

Já agora, como os meus ensaios nunca são em linha reta deixa-me contar-vos um pequeno hack económico, já recebi um certo hate por falar disto, não obstante vou fazê-lo. Uso a Klarna, já escrevi sobre isto e, é através da subscrição da Klarna que tenho acesso à Vogue e outras subscrições entre os quais o Flo.

Falando da Vogue Business, ainda tem artigos que são aquilo que queremos da Vogue — tendo em conta a comunidade de Moda do Substack. Artigos como “Can Fashion Handle the Heat?”, no qual é citado um post de Instagram do fundador da revista independente StyleZeitgeist, Eugene Rabkin. E com essa citação voltamos à tal questão sobre a qual eu nunca havia pensado:

“Falo por muitos editores independentes aos quais não é concedido carro por parte dos organizadores da Paris Fashion Week ou por meio de ajudas de custo e, digo-o com todo o respeito, mas as Alterações Climáticas são reais… Às vezes, quando ouves um educado “não”, é porque o teu showroom é demasiado longe e nós estamos a dar prioridade ao nosso bem-estar invés de olhar para peças de roupa. Enquanto isso, tentamos fazer o melhor com calendários frenéticos que mandam de um lado para o outro da cidade, como se fossemos bolas de ping pong, várias vezes por dia sob um clima debilitante… Eu sei que os orçamentos são apertados, mas ajudem-nos a ajudar-vos.”

Colagem feita pela autora. Look do desfile da colecção Resort 2022 da Chanel. Look do desfile da colecção Primavera 2020 de Beaufille. Fonte das imagens: Vogue Runway.

Obviamente, que o problema de que fala Rabkin faz todo o sentido, só nunca pensei nisso pela minha experiência de Fashion Week.

Como sabem, a minha experiência é a ModaLisboa | Lisboa Fashion Week que, a cada edição, tem uma location principal, onde decorrem a maior parte dos desfiles com os outros eventos a não distarem muito. Por exemplo, no Pátio da Galé, há estacionamento muito perto (e eu e andar a pé é incompatível) que muitas vezes é gratuito quando o lugar de deficiente na rua está disponível. E, também consigo deslocar-me facilmente entre esta localização principal e o MUDE, onde costumam decorrer alguns desfiles e ciclos de conferências. Portanto, Moda em Lisboa não tem bolas de ping pong.

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