Enviado do meu iPad: A uma secretária ou não
Porquê Fashion Substacker?

Sinto que tenho de escrever logo no início “enviado do meu iPad”. Porque é uma experiência substancial diferente de escrita que poderá ser uma experiência de leitura também um pouco diferente para ti. Ah, e tenho de pedir desculpa em antecipação, porque estou a escrever sob efeito de antibióticos, devidamente prescritos, mas que ainda assim me causam um certo brain fog. E, sinto que posso ser um bocadinho repetitiva — sorry!
Este é um ensaio a uma quarta-feira, não por me ter adientado… Mas, por não ter conseguido escrever-te, devido a ter feito um implante dentário e a recuperação foi um bocadinho mais complicada do que esperava.
Até tive de comer gelado e, ainda que, deva ser a única pessoa no mundo — eu odeio gelados.
Entretanto, abri o meu adorado MacBook na manhã de segunda-feira e o display não funcionava, partiu-se sabe Deus como. Portanto, já sabem por que temos tantas imagens de MacBooks nas colagens deste ensaio. Sim, tenho saudades do meu computador.

Bem, vamos ao foco deste ensaio. Era uma temática que já tinha há muito pensado. Mas depois de o Instagram ter suspendido a conta do Substack Espanha e de o Substack anunciar o lançamento ou pré-lançamento dos patrocínios dentro da plataforma. Tudo se pareceu alinhar, e assim também aproveito para partilhar o meu posicionamento relativamente a isto e como tal se irá espelhar no The Fashion Standup.
Portanto, o Substack oferecerá a possibilidade aos criadores aka creators (preferindo eu a palavra Substackers) de estabelecerem contacto directo com marcas para que estas possam patrocinar directamente determinadas edições de uma newsletter. Para já esta ferramenta está disponível só para bestsellers. Mas já se sabe, que os patrocinadores terão um espaço no cabeçalho de cada newsletter — simples, discreto e, a meu ver, inteligente.
O TFS ainda não é bestseller, esta é uma distinção concedida a quem tem pelo menos 101 subscritores pagos. Mas, podes contribuir para que esta newsletter receba tal distintivo fazendo upgrade da tua subscrição por 5€ por mês ou 50€ por ano, no botão abaixo:

Calma que isto não vai ser um ensaio só de housekeeping, já vamos entrar no nosso habitual fashion deep thinking.
Porquê dissecar o título “Fashion Substacker”? Porquê usá-lo?
E, não, não é só porque também existem YouTubers, palavra com origem no nome da plataforma YouTube.
Poderia usar o termo que muitos colegas nesta plataforma utilizam de “escritores de Substack”, mas como me lembra uma amiga que trabalha com escrita e que também não se considera escritora — eu tenho chip da Moda.
Se tenho reticências em usar termos como criadora de conteúdos ou de blogger, tem a ver com o facto de serem termos muito gerais e abrangentes com pouca profundidade e simplificando demasiado os factos.
Não quero com isto dizer que a minha pesquisa ou a profundidade é sempre impecável não é, porque o quotidiano acontece e há sempre espaço para fazer melhor.
Mas acredito que Fashion Substackers poderão inverter o processo de alteração da História da Moda, por eliminação e gestão de expectativas nas respostas geradas pela Inteligência Artificial, como alerta o historiador de Moda Carlos Sánchez de Medina Alcina. Como sabem não sou anti-IA, por isso se ela existe e é alimentada por nós alimentemo-la de beleza, de verdade, de crítica construtiva e bem pensada, de estórias bonitas da História da Moda independente.
Talvez, este seja o meu mission statement, aquele que nunca publiquei ou escrevi.
Mas, o que já escrevi, sim, foi um micro manifesto sobre o que é ser Fashion Substacker. Que apesar de já ter viajado pelo mundo em forma de carta, acompanhada de um autocolante — se lês no email, é o círculo vermelho no cabeçalho. Dito manifesto versava assim:
“Somos amantes da Moda,
Somos livres-pensadores,
Somos seres gentis,
Somos almas independentes,
É por isso que somos
Fashion Substackers.”
Juntando estes ingredientes aos valores do Substack — de vozes independentes e de liberdade naquilo que é não só o desenho de um modelo de negócio, mas também um estilo de vida.
Como quando um designer de Moda começa uma etiqueta própria e autoral para poder implementar a sua visão, não sendo balizado por precedentes ou hierarquias. Não confundir aquilo a que tem de ser dada continuidade por factores diversos com legado. Os legados em Moda devem ser documentados e digitalizados.
Em Moda, o empreendedorismo sempre foi vocacionado para o produto físico e para um tipo de negócio ainda assente no retalho físico in loco, mas que a cada segundo apela a ser repensado.
Não me considero freelancer, já que optei, conscientemente, por não fazer pitches para ser publicada. Só faço pitches para convidar pessoas, e não entidades ou corporations, a subscrever o The Fashion Standup.
Não quero com isto dizer que dou total exclusividade ao projecto que criei, ao Substack em que trabalho. Quer dizer que a minha energia é canalizada para projectos que enriqueçam o meu capital emocional e que sejam complementares à missão de falar de Moda portuguesa independente, Moda de Lisboa; Sistema de Moda; História de Moda ou, de certo modo, Arquivismo de Moda.
E, as pessoas que têm sempre espaço reservado na minha agenda, a qualquer momento, quer seja agenda pessoal ou de trabalho, sabem-no.
Um pouco como diz Harrison Ford no filme “A idade de Adaline” (2015) — sim, eu descansei, sentei-me na sala e vi um filme antes do meio-dia de um sábado — não é só viver, há que ter uma vida, uma vida acarreta significado.
E, por muito contraditório que possa parecer, se empresas como a Balenciaga ou a Uber Eats — marcas que já deram sim ao Substack, quiserem patrocinar aquilo que o TFS já é, bem-vindos sejam. Porque graças a isso, tenciono disponibilizar mais conteúdos a todos os meus subscritores.
Sim, tem acontecido muita muita coisa fixe e muito bonita ao longo destes quase dois anos, mas a conversão de subscritores gratuitos em pagos não é assim tanto o meu forte, admito.

Para termos um twist, deixo-vos cinco perguntas, retóricas ou nem por isso, sobre a actualidade em Moda:
Por manifestos, já leste o manifesto do concurso Sangue Novo? Podes fazê-lo no site da ModaLisboa | Lisboa Fashion Week, o link para a versão em português está aqui.
Já ouviste dizer que a Vogue (sim, a da Anna Wintour e da Chloe Malle) anda em Substacker e, pelo que percebi até mesmo a recruta-los? Bem, a Carrie Bradshaw há muito que é presença assídua no feed da plataforma.
Sou só eu que vou demorar a fixar que o Oliver Rousteing é novo director criativo da Rabanne, segundo o @boringnotcom? É que eu ainda não o consegui descolar da caderneta da Balmain.
É só para mim que Isaac Mizrahi na Target não faz sentido em universo nenhum? Mais de uma semana depois ainda não consegui processar esta notícia.
Só sou eu que me ponho a pensar como é que a onda de calor na Europa afecta a logística da Semana de Moda de Paris menswear?
Ah, mini explicação sobre o título: eu psicologicamente sou muito grata por ter um lindo escritório em casa, trabalho muito do meu cadeirão cor-de-laranja na sala de estar. Não obstante, quando o faço tenho imposter syndrome.

Antes de terminar esta carta devo lembrar-te de fazeres redundâncias no armazenamento dos teus dados. Porque no meio desta última semana sem calma nenhuma no nervoso, houve um momento em que tive fé em todas as entidades superiores.
Já que me apercebi que dias antes do meu computador avariar, tinha salvaguardado a pesquisa de um dos projectos mais bonitos da minha vida numa cloud. E, o saber que esse trabalho que será magnífico está são e salvo é uma felicidade luminosa. Portanto fica a dica!
Até breve!
(Sim, o próximo ensaio não vem daqui a uma semana — pode vir antes.)
Com amor,
Vera Lúcia


